Projeto inédito comprova segurança da embolização de miomas uterinos pelo SUS
Das 40 pacientes carentes atendidas, 90% tiveram melhora, o que motivou requerimento para o MS, solicitando embolização no SUS
O projeto foi realizado em parceria com o Instituto Israelita de Responsabilidade Social Albert Einstein, com o objetivo de percorrer hospitais públicos de São Paulo com um caminhão baú, levando às mulheres de baixa renda, equipamentos e material de alta tecnologia para a realização de Embolizações Uterinas, uma moderna técnica de tratamento de miomas uterinos. Os dados do estudo embasaram um requerimento enviado, recentemente, à Secretaria de Ciência Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE) do Ministério da Saúde, para inclusão da Embolização Uterina entre os procedimentos médicos cobertos pelo SUS. O documento encontra-se em processo de analise na Comissão de Incorporação de Tecnologia/CITEC. Na primeira etapa do projeto Angiomóvel foram desenvolvidas parcerias com quatro instituições: Hospital Universitário de Jundiaí, Hospital do Mandaqui, Hospital Regional de Cotia e Hospital Leonor Mendes de Barros. Entre Novembro de 2008 e Maio de 2009, uma vez por semana, o Angiomóvel visitou uma dessas instituições, onde foram realizados os procedimentos de embolização uterina de forma gratuita no estilo de " mutirão" . Os casos foram selecionados e preparados pelas equipes de ginecologia de cada Instituição, na base de um protocolo de cooperação científica e assistencial, desenvolvido conjuntamente com a equipe médica de Kisilevzky. "A embolização uterina é um procedimento de Radiologia Intervencionista que não é, rotineiramente, oferecido em hospitais públicos. A falta de estrutura tecnológica e/ou equipes médicas especializadas faz com que mulheres carentes não tenham acesso a essa tecnologia. A embolização, ou emboloterapia, é uma cirurgia minimamente invasiva e muito menos traumática que a convencional. Requer uma pequena incisão na virilha, por onde é introduzido o cateter, que é conduzido pelas artérias, visualizadas por meio de um equipamento computadorizado de raios X", explica. Quando se alcança as artérias uterinas que levam o sangue até o útero e os miomas, injetam-se partículas que entupirão essas artérias, impedindo os miomas de receberem sangue, regredindo rapidamente de tamanho. Ao fim do procedimento, simplesmente retira-se o cateter, sem a necessidade de pontos. A paciente fica apenas 2 horas na sala de recuperação e pode voltar para casa em 24 horas, com o retorno às atividades normais até dez dias após a cirurgia. Único especialista em Radiologia Intervencionista da America Latina a ser homenageado com o Título de Fellow da Society of Interventional Radiology, maior sociedade mundial que agrupa mais de cinco mil especialistas em todo mundo, Kisilevzky estará realizando o Simpósio Internacional Embolution 2010, de 24 a 27 de Agosto, em São Paulo. Histerectomia X Embolização O procedimento consiste na punção de um vaso (artéria ou veia), acesso ao espaço intravascular e, por meio de cateteres e guias, sob orientação radiológica, navegar de forma endovascular, o que torna possível atingir, praticamente, qualquer segmento do corpo. Entre as técnicas intervencionistas ainda pouco difundidas está a embolização (ou emboloterapia), que também auxilia no tratamento de câncer de fígado, rim e ossos, varicocele (causa mais comum de infertilidade masculina), problemas vasculares como aneurismas, malformações, varizes e sangramentos de qualquer tipo, além de miomas uterinos. O tratamento clássico para o mioma, a histerectomia (procedimento cirúrgico para retirada do útero, que muitas vezes se estende também a ovários e trompas) pode significar, para muitas mulheres, o comprometimento de sua identidade feminina e renunciar à maternidade. Só nos últimos cinco anos foram realizadas 576 mil histerectomias no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, com uma média de 115 mil por ano. "A embolização é uma moderna técnica que requer apenas uma incisão do tamanho de uma ponta de caneta na virilha feita com anestesia local, e que tem o objetivo de cortar o suprimento de sangue para o tumor, provocando a " morte" do mioma, sem prejuízos à saúde. Por ser um procedimento minimamente invasivo, pode oferecer uma curta estadia hospitalar e recuperação mais rápida. No caso do tratamento dos miomas, o útero e a fertilidade da mulher são preservados", conclui Kisilevzky. Fonte: http://www.isaude.net |
|